Segundas-feiras tem o dom de me deprimir.
Tanta coisa para fazer, tão pouco tempo, tão pouco ânimo.
Frustração em cima de frustração.
Não, não aconteceu nada de significativo, só que vindo para casa, na hora do almoço, vi um viralatas magrelo e desnutrido se esforçando para fazer suas necessidades, no meio da rua. Em tempo de ser atropelado. E meu coração cortou de dor.
Quando leio as notícias, quando leio os comentários, quando vejo que batalhas já travadas se repetem, com os mesmos resultados, como em um jogo de cartas marcadas, fico cansada.
Cansada de estar no lado perdedor.
Cansada de pensar.
Cansada de não fazer nada, cansada de chorar e ranger os dentes e não ver nada de novo sob o céu.
Queria andar distraída, colhendo sorrisos pelas esquinas, dando bom dia aos desconhecidos na rua, acariciando os cães viralatas e recolhendo as crianças abandonadas.
Queria andar abstraída.
Abstraída de um mundo que cada dia mais se fragmenta e desaba.
Queria ter escolhido a pílula azul, e ficar, placidamente, olhando as ruínas ao meu redor, não me preocupando com nada além do sexo dos carros e a dificuldade de achar empregada....
Queria ser uma classe média esterotipada, tão alienada como ninguém consegue ser (ou consegue?)
Rir de piadas preconceituosas e pior, piadas sem graça.
Rir da desgraça alheia, sem perceber que estamos todos juntos na mesma merda, boiando em um lamaçal fedorento de ganância, alheamento, egoísmo, individualismo... precoceitos e discriminações, ódio e intolerância. Pagamos o bem com o mal, e o mal, com ainda mais mal.
Tem dias, como esse, nos quais eu quero mesmo é que a humanidade acabe, e os animais voltem a dominar o planeta.
Que um ecoterrorista criasse um supervirus mortal para humanos, mas inócuo para plantas e animais, e todos nós, esse gigatesco erro da natureza, virassemos alimento para os cães e gatos abandonados e sujeitos à crueldade, nas ruas das grandes e pequenas cidades.
Imaginem, que lindo, todos os humanos, apodrecendo nas ruas, virando comida de urubu? (claro que esse vírus não poderia ser transmitido pela carne morta, né, meu ecoterrorista imaginário?)
E não pode sobrar ninguém, Nenhum ser humano, nenhuma criança, mulher ou homem.
Porque nós conseguimos ferrar com tudo. Sempre iremos ferrar com tudo.
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
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