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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ficção científica?

O desafio de hoje é escrever qual o meu livro favorito de ficção científica.
E dessa vez,  não tenho dúvidas.
Não costumo ler ficção científica. Prefiro fantasia, tipo O senhor dos Anéis e Crônicas de Gelo e Fogo.

Acredito que li 1984 e Admirável Mundo Novo. Mas foi há tanto tempo... Não me recordo tanto assim deles, para dizer que são os favoritos...

Julio Verne? Acho que li "Vinte mil léguas submarinas", mas, de novo, há tanto tempo...

De verdade, ficção científica, nem em filmes me atraem. Só Matrix (o primeiro, claro. Os 
outros, bem, os outros são os outros. Eles deveriam ter ficado só no primeiro). 
Acho que li Johnny Mnemonic. Mas, acho. Pode ter sido só o filme, com o meu lindo do Keanu.


Então. Taí. Falhei, miseravelmente. No sci-fi for you, people.
Muito frio. Muito seco. Muito sem cor, sem calor, sem amor... muito asséptico.
Muito metal.
Prefiro a fantasia.
O calor, o cheiro, lobos gigantes uivando nas florestas, deuses e deusas, fadas, orcs, vampiros, lobisomens.
Sangue jorrando, fogo ardendo na fogueira, cabeças rolando.


Também estão brincando a Lu, a Niara, a Marília, a Tina Lopes (quem começou com esse meme, que acaba atraindo mais e mais gente a cada dia!), a Rita, a Cláudia, a Grazy e a Mayara!


Ah, e o Pádua Fernandes, do Palco e o Mundo, e agora, a Renata Lins, do Chopinho Feminino.

E esse post ficou mais uma homenagem ao Keanu que um post sobre livros de sci-fi.
Mas ele merece! Rá!

Ah, só mais uma, vai!

domingo, 4 de setembro de 2011

Nono livro: O mais triste que já li

Já escrevi aqui sobre Vidas Secas ser o primeiro livro que me fez chorar, com a cena da cachorra Baleia.
Hoje, no meme dos 30 livros (em mais de um mês, pq a pessoa é procrastinadora crônica e aí já viram...) tenho que pensar no livro mais triste que já li.


E acho que é Cidade de Deus, do Paulo Lins. (disponível aqui, em pdf)



Adorei a narrativa. Acho que Paulo Lins, em Cidade de Deus, equivale a Guimarães Rosa. A linguagem do morro tem uma gramática própria, e é parte importante da narrativa.

É um livro excelente, já considero um clássico, e é uma obra muito triste.
Não é um romance sobre pessoas, é sobre a cidade. 
É sobre o Rio de Janeiro, mas poderia ser sobre qualquer cidade.
É sobre esse sistema feladaputa no qual estamos inseridos, esse modo de produção fudido, que incentiva o individualismo e a ascensão social a qualquer custo. Capitalismo, esse monstro.


Cidade de Deus é um murro. 
Uma sucessão de murros, pontapés, facadas, tiros.
Na boca do estômago, na cara, na alma.



A linguagem crua, a descrição detalhada de cenas de violência, que não banalizam nada, mas pelo contrário, tornam cada página um martírio.
E a gente lê, sabendo que não vai melhorar.

Foi o livro mais triste que li.
De uma tristeza diferente da tristeza de Vidas Secas, mas ao mesmo tempo, com semelhanças.
A desesperança, que é diferente do desespero, dá o tom do romance.

Não há objetivos.
O sonho de ser dono de Cidade de Deus nada mais é que o sonho do Eike Batista ou qualquer outro empresário ou financista de ser dono do mundo. Só mudam as dimensões.
Nem mesmo a forma de conseguir obter o que se quer difere: Zé Pequeno estupra, tortura, mata, rouba.
Empresários e financistas, também.

Não idolatro Zé Pequeno.
O odiei no filme. No livro, consegui estabelecer certa empatia por ele, mas ainda o odeio.
O fato dele ser feio, pobre, favelado, fodido, não lhe dá o direito de ser mau. 
E ele não é mau só com os playboys e patricinhas, é mau com seus "iguais". 
Ele não tem (e nem quer) redenção.
Não falo de perdão. Quem pode perdoá-lo, senão ele mesmo?
Falo de aspirar algo diferente.

Ah, sim, ele aspira algo, que não sabe bem o que é.
Nesse ponto, me identifico com ele.

O livro todo é incrível. Tão bom quanto o filme, ou melhor.
Recomendo, mesmo, a leitura. 


E foi o livro mais triste que já li.
Baseado em fatos reais, escrito com o coração, Paulo Lins foi magistral.
E poderia ser relançado, hoje, com as datas alteradas, e nada, absolutamente nada, mudou.

Não sei se é porque trabalho no sistema de justiça criminal, mas o mais assustador e o mais triste livros que já li tem em comum o tema da violência, da criminalidade, da pobreza, da corrupção, da miséria humana no Brasil.

Deve ser. 
Significa.

Também estão participando a Luciana, a Niara, a Marília, a Claudinha, a Mayara, a Grazi e a Tina Lopes, que foi quem começou primeiro o desafio, e nos inspirou a todas.


* Se você quiser comprar, no Submarino está à venda a edição de bolso, que foi a que eu li.
O Paulo Lins revisou o livro, e fez alterações substanciais, diminuindo o número de páginas e renomeando personagens. Quero ver se encontro a edição original para comparar.

** Dia 7/9, dia da Independência (??) ocorrerá mais uma edição do Grito dos Excluídos.
Eu vou. Mas, como disse o Lucas, do Diário da Liberdade:


"Lutar contra a corrupção é lutar contra o capitalismo. Tenha isso em mente antes de emitir um grito no dia 7 de setembro."

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Abençoada pela sorte

Continuando, bem atrasadinha, com o meme Um Mês, Trinta Livros, hoje é o dia de falar sobre um livro que odiei, mas tive que ler para a escola.

Como já disse exaustivamente aqui, tive a sorte tremenda de gostar de ler, e de ter todas as oportunidades para cultivar esse hábito. Tive acesso a livros, a livrarias, a bibliotecas. Minha casa sempre teve livros e revistas e jornais espalhados, mesmo "juntando pó". 
Na escola, era difícil para os professores de literatura indicarem um livro que eu não houvesse lido. 
E acho que se houve algum que não me agradou, o esqueci com facilidade.
Não gosto de cultivar o ódio.
Acho que ódio é uma palavra que reservo para coisas realmente detestáveis: guerra, violência, intolerância, fanatismo...
O ódio é a morte.
Eu amo a vida (ou quero amar, a maior parte do tempo).
O ódio pode dar forças em alguns momentos, para algumas pessoas.
Não para mim.
Eu amo a ira.
O furor, a raiva.

São vitais e necessárias. 
Podem ser o impulso que mantém a vida, em momentos de dor.
As vezes é melhor a raiva que a dor,  me disseram.
Mas, mesmo sendo canceriana, signo de Lua, apegada ao passado, um caranguejo que avança enquanto anda para trás, não gosto de guardar rancor.


Li tantos livros na escola.
A maioria me agradou.
Com todos creio que aprendi alguma coisa.


Assim como com as pessoas que passaram e as que passarão ainda pela minha vida.


Então, posso dizer que fui abençoada, e que minha memória de elefante não guarda nenhuma recordação de um livro que odiei mas fui obridada a ler? (claro... vou deixar os jurídicos de fora, né? Estamos falando de escola, não faculdade, livros de literatura, não é?)


Guardo as recordações dos que amei.
Guardo com carinho mesmo os que me fizeram chorar.
Alguns tenho na estante até hoje.
Outros, só num cantinho da memória.


Também estão participando a Lu Borboleta-Graúna, a Niara, a Mari Moscou, a Tina Lopes, que foi quem deu a idéia para a Lu, e começou com isso, a Rita, a Claudinha, a Grazi e a May...



* Pra não ficar muito muito boazinha, e dizer que não odiei nenhum livro, acho que teve um sobre gravidez na adolescência, drogas, essas coisas, que era tão mal escrito mas tão bizarro que eu achava era graça, e tivemos que ler acho que na sétima ou oitava série... Não lembro o nome, mas pode-se dizer que foi um que odiei.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

É doce morrer no mar - O autor que eu amo

Acho que esse dia vai me pegar...
Já pegou. Um livro do meu autor ou autora favorito?
Como assim??? Não consigo!!!

Escolher o livro já é quase uma traição, como escolher entre os filhos queridos, ou no meu caso, qual bichinho é o mais querido... Não tem como. O livro eu ainda arrisquei...
Mas o autor??? Como escolher?Tantos, tantos, tantas queridos e queridas...


Durante boa parte da infância, foi Monteiro Lobato.
Depois, Pedro Bandeira.
Depois, José de Alencar...
Descobrir a literatura brasileira...
Machado de Assis, uma paixão...

Depois, Maupassant. Flaubert. Moliére. A fase francesa... Influência de Angélica, a Marquesa dos Anjos.

Hemingway... ah... O velho e o mar, Por quem os sinos dobram, Adeus às armas...

Depois, a fase vampiresca: Anne Rice. Sim, podem me julgar... 

Mas, meu autor favorito...

Jorge.
Ele.
O bahiano.
Quem me fez amar o Brasil.
Amar a Bahia.
Amar o que há de negro em mim, em nós.
Amar.
Sim, ele é meu autor favorito.
Eu o amo.
Sonhava conversar com ele, com aquele velhinho simpático, gorducho, bonachão.
Conversar com ele e com Zélia.
Acho que o amo tanto não só pelas obras, que também amo, por seus cenários coloridos e decadentes de cais e portos, de puteiros e rendez vouz, de malandros e doutores, putas e damas, mas também pela vida que viveu, e que Zélia contou nos livros de memórias, desde que se conheceram até a velhice.



Sim, ele é cheio de defeitos.
Cliches a não mais poder.
Cenários que no final da carreira, já se repetiram tanto que se tornariam cansativos, não fosse o amor que ele derrama em cada frase.

Eu o amo.
Com seus defeitos e virtudes.
Entre as virtudes, algumas que seriam defeitos.
Amo os personagens, amo a cor e o sabor.
Amo a vida que ele viveu.
Amo.

Sim.
Na verdade, não foi tão difícil.
Não se trata de um favorito escolhido por suas qualidades literárias, ou por seu teor de erudição.
Mas por tocar meu coração.
Jorge me toca ao som de um atabaque imaginário.
Me esquenta com o calor da Bahia de Todos os Santos.
Me acolhe em seu peito, com a quentura de uma tarde em Itapuã.

Jorge Amado me faz gozar.
Gozar em ser brasileira.
Gozar por ser mulher.

Me faz querer ser Gabriela, Rosa Palmeirão, Teresa Batista Cansada de Guerra, ser Dona Flor, ser Lívia, ser Tieta, ser Adalgisa, ser Maria Manuela, ser todas.
Ser mulher.

Estrela matutina. No cais o velho Francisco
balança a cabeça. Uma vez […] ele
viu Iemanjá, a dona do mar. E não é ela quem vai agora de pé no Paquete Voador?
Não é ela? É ela, sim. É Iemanjá quem vai ali. E o velho Francisco grita para os
outros no cais:
— Vejam! Vejam! É Janaína.
Olharam e viram. Dona Dulce olhou também da janela da escola. Viu uma
mulher forte que lutava. A luta era seu milagre. Começava a se realizar. No cais
os marítimos viam Iemanjá, a dos cinco nomes. O velho Francisco gritava, era a
segunda vez que ele a via.
Jorge me faz amar.
Jorge me faz amar o candomblé, a capoeira, o dendê.


 Jorge Amado.
Sim, Amado.

À frente de seu tempo, as mulheres de Amado.
Dera-se conta da vida das senhoras casadas, igual à da mãe. Sujeitas ao dono. Pior
do que freira. Malvina jurava para si mesma que jamais, jamais, nunca jamais se
deixaria prender. Conversavam no pátio do colégio, juvenis e risonhas, filhas de
pais ricos. Os irmãos na Bahia, nos ginásios e faculdades. Com direito a mesadas,
a gastar dinheiro, a tudo fazer. Elas só tinham para si aquele breve tempo de adolescência.
[…] Chegava um dia o pai com um amigo, acabava o namoro, começava
o noivado. Se não quisesse, o pai obrigava. Acontecia uma casar com o namorado,
quando os pais faziam gosto no rapaz. Mas em nada mudava a situação. Marido
trazido, escolhido pelo pai, ou noivo mandado pelo destino, era igual. Depois de
casada, não fazia diferença. Era o dono, o senhor, a ditar as leis, a ser obedecido.
Para eles os direitos, para elas o dever […]
Malvina, a personagem de Gabriela que se revolta com seu tempo, e foge, escapando de seu destino traçado naquelas Terras do Sem Fim. A primeira feminista que conheci e amei.


Amado me fez amar Caymmi e Clara Nunes.
 

"É doce morrer
no mar/nas ondas verdes do mar”

Amado.
Sim, é óbvio.
Eu o amo.
Amo o Velho Marinheiro.


No final, não tem dúvidas quanto a isso.
O amor não tem dúvidas.
O amor se atira, se dilacera.
Mas é o amor.

Que pode dona Flor dizer? “Vai-te embora, maldito, deixa-me honrada e feliz com
meu esposo” ou bem “Toma-me em teus braços, penetra minha última fortaleza,
teu beijo vale o preço de qualquer felicidade”, que lhe dizer? Por que cada criatura
se divide em duas, por que é necessário sempre se dilacerar entre dois amores, por
que o coração contém de uma só vez dois sentimentos, controversos e opostos?




Também estão participando:

Luciana, Niara, Marília, Tina Lopes, Rita, Cláudia, Grazi e Mayroses


Eu sou a Graúna
Pimenta com Limão
Mulher Alternativa
Pergunte ao Pixel
A Estrada Anil
Nem tão óbvio assim
Livros e opiniões
Mayroses

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Dia 3: o livro favorito da infância (Favorite book as a child)


Eu sempre que posso dou livros de presente para as crianças das minhas relações. Porque me lembro tão bem do bem que faz mergulhar em um mundo de fantasia, conhecer lugares, pessoas, épocas incríveis, personagens queridos, que vão nos acompanhar pela vida...
Um livro é um portal, um tapete mágico,  pó de pirlimpimpim, pó de flu, é vara de condão, é reino perdido e encontrado.
É o sol na tempestade, é a neve no deserto. É a campina gelada de Wisconsin trazida para o meio das Geraes, é a Inglaterra vitoriana em pleno século XXI.
É a Grécia antiga e todos os seus deuses e heróis. É a floresta tropical no meio da sala.
Um livro nas mãos de uma criança, é um jardim secreto, cheio de ninhos de pintassilgos, de ovos de passarinhos, seguros contra a ganância e a cobiça de meninos maus. É uma raposinha e um corvo domesticados, é uma ovelhinha bebê. É uma menina emburrada e zangada que aprende a diferença que faz um sorriso e aprende a gostar de si e dos outros. É um menino mimado e autoritário que queria morrer e decide viver para sempre.
É o antecessor do Menino do Dedo Verde de Druon, um camponês do Yorkshire, que ensina aos patrõezinhos o que é a vida, e através deles, ensina também aos adultos o que é estar bem na própria pele...
Por isso, meu livro favorito de quando criança é “O Jardim Secreto”, da Francis Hodgson Burnett. E vou confessar: ainda hoje gosto de reler e me deliciar. E voltar ao jardim secreto de uma infância feliz, cercada de amor, livros e bichos...

"Havia mesmo uma espécie de mágica com Dickon, como Mary acreditava. Quando ouviu o nome dele, o senhor Roach sorriu:
- Aquele ali ia se sentir em casa no palácio da rainha ou  no fundo de uma mina de carvão. E não é por falta de vergonha não. Aquele menino é maravilhoso."
Eu já escrevi sobre O Jardim Secreto e outros livros queridos da infância aqui.http://as-agruras-e-as-delicias.blogspot.com/2011/01/revolucao-em-mim-sobre-os-livros-da.html 


 *A Lu, a Marília e a Niara também estão participando da brincadeira. Checa lá!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Dia 2: Um livro do qual não gosto - Só por isso


O primeiro post foi bem difícil porque era para falar sobre  o livro preferido de todos os tempos. Comecei pensando em um, e no fluir do texto, acabei percebendo que era outro...
Eu adoro livros. Adoro o conteúdo, o suporte físico, as capas, a sensação de abrir pela primeira vez um livro novinho e quebrar, com muito pesar, a lombada, ou de abrir, cuidadosa, um livro velho e querido, com as páginas amareladas soltando-se da encadernação. Então, me sinto até traiçoeira em pensar em dizer um livro do qual não gostei, especificamente. Como se estivesse abandonando um amigo. Porque meus livros são meus amigos mais fieis. Minto, meus bichos são meus amigos mais fiéis. Meu livros são meus amigos de qualquer hora. E seu eu peguei um livro, por qualquer que seja o motivo, e o li, ele teve seus bons momentos, me fez companhia em um momento de solidão ou tédio pura e simplesmente.
Alguns livros são ruins, mas nem por isso são detestáveis.
Outros, por outro lado, são bons. Mas me fazem mal.
Não gosto de livros de auto-ajuda. Não gosto de livros “psicografados”. Não gosto de Paulo Coelho, Dan Brown ou Jô Soares. Tem um monte de livros ruins, dos quais não gostei. O problema é que nenhum deles me marcou a ponto de lembrar sequer seus títulos ou autores. Como um cara que beija mal, evito até lembrar o nome e as circunstâncias...
Se eu tenho que realmente dizer, diria que não gosto de Valsa Negra, da Patrícia Melo. Entendam, eu adoro Patrícia Melo. De verdade. “O matador” está entre os meus preferidos recentes, adoro os personagens, os conflitos, a perfídia... “O elogio da mentira” também é um bom livro, gostei bastante e recomendo.
Mas “Valsa Negra” me fez mal. Então, pelo mesmo motivo pelo qual atualmente “O sol é para todos” é o meu preferido, teria que dizer que não gosto de “Valsa Negra”. Porque não tem redenção. Porque não gosto do Maestro. E porque o ciúme é um sentimento corrosivo. Pronto. Por isso. Só por isso. 

“O ódio é indistinguível do amor”.
“Entrei no carro e olhei para o céu. Seria um dia ruim.”
“Estar com ela era ter, no mesmo pacote, coisas ruins e boas. Mais ruins do que boas, essa era a verdade.”
Por isso, e só por isso, trata-se de um excelente livro, realmente denso, tenso. Do qual eu não gostei.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Um mês, trinta livros: o primeiro dia, o livro favorito!

Começar este memezinho vai ser desafiador. Porque o primeiro dia já pede para a gente escrever sobre o livro favorito de todos os tempos...
 
Day 01: All-time favorite book

E aí que é quase impossível escolher entre todos os meus livros favoritos, o favorito de todos os tempos.
Porque cada época tem o seu favorito. 

Desde que me entendo por gente, tenho um livro embaixo do braço. Sempre fui introspectiva. 
Sempre gostei de ficar em casa, lendo. Já deixei de ir a festinhas infantis, quando criança, ou passeios a casa de parentes, para ficar na casa de minha avó Maria, lendo e fazendo companhia a ela, que não gostava de sair... E naquela época, meus favoritos eram os da coleção Vagalume. Já então, era dificil escolher um favorito. 

Vinte anos, muitos livros depois, me vejo agora tendo que indicar um... Sinto um aperto no peito, como se ao apontar um, estivesse ignorando os outros... Mas, como teremos mais vinte e nove dias pela frente, vou encarar o teste e falar sobre o meu livro preferido de todos os tempos, hoje! É como se fosse tudo ao mesmo tempo, agora!

...
Dei uma pausa, fumei um cigarro, e enquanto isso, tentava pensar no livro favorito de todos os tempos...

Difícil, porque um livro é, de certa forma, uma definição de nós mesmos. E é difícil se definir, se auto-definir.

Os livros, a presença deles, o cheiro, o peso, a capa, e claro, o conteúdo, sempre me acompanharam. Antes de saber ler, usava a enciclopédia Barsa, eu e meus irmãos, para fazer castelos e pontes. Adora também ver as figuras e acompanhar os mapas, tentava descobrir onde estávamos, naquele mapa mundi da enclopédia Britanica. Taí, uma coisa que sempre me rodeou, os livros. Meu pai estudou história, minha mãe, pedagogia, sempre tive livros, jornais, revistas ao meu redor. Hoje vejo que privilégio tivemos, eu e meus irmãos.

Nas férias, ia para a cidade dos meus pais, no interior, e depois que comecei a usar óculos, uma miopia forte, aos 9 anos, minha introspecção aumentou ainda mais. Aliada à fome de ler, deixava de ir para vários lugares ao ar livre para ficar sentada na varanda, lendo.

Nessa época, já havia descoberto o paraíso das bibliotecas públicas. E Itaguara tinha (tem) uma boa biblioteca. Lá, mesmo nas férias, passava horas e horas descobrindo novos autores, novas leituras. 

Eu era, para os parentes e alguns colegas, a nerd, a CDF, que preferia ficar em casa lendo do que passeando na praça, no comecinho da pré-adolescência.

Mal sabiam eles, que nos meus livros, era a aventureira, a heroína, o bandido, o vilão, a bruxa Morgana, a espiã dos romances de banca, o guerreiro tupinambá de O Guarani. Era Ceci, era Lucíola, era Emília e Narizinho, era o Coração de Onça, era Atena e Hércules... Fui Monica, fui Cebolinha, e fui até a barata de Kafka. Fui princesa medieval e vilã de Sidney Sheldon. Fui Drácula de Bram Stoker e fui Pandora de Anne Rice. Ainda sou. Fui Penélope e fui Ulisses, lendo a Odisséia. Fui Aticcus Finch e fui Boo Bradley, mas sempre serei Scout "Jeane Louise Finch"....

Puxa, já enrolei tanto, e não defini ainda o meu livro preferido!

Então, vamos ao que interessa:

O sol é para todos, de Lee Harper

Na verdade, eu comecei o post pensando em outro livro, mas quando fui escrevendo e sem pensar muito em todos os personagens que já fui, me saltou a linda obra da Harper Lee...

Ganhei de presente de Natal, em dezembro de 2006. Desde então, sempre o tenho por perto. 
A cada vez que o releio, penso em como é atual, em como é triste e em quanto é belo.
E porque eu sempre sempre busco a possibilidade de redenção, eu amo O sol é para todos.
As crianças que contam uma história tão triste, mas tão triste, com seus olhos infantis e verdadeiros. 
A criança que denuncia a hipocrisia, a falsidade, a crueldade de uma sociedade...

Então, por ainda hoje, querer eu também ser Jean Louise "Scout" Finch e querer que existam Aticcus Finchs na vida real, eu escolho "O sol é para todos", porque é sempre um pecado matar um rouxinol... 

Aí está, o meu livro preferido de todos os tempos....
Sei que daqui um mês, pode mudar, como tudo pode mudar.

Amanhã, é o dia do livro preferido da minha infância. Já começou o dilema... 

********

Depois que publiquei, fui ler o post da Lu, na Graúna, porque, né, se eu leio antes não tenho nem coragem de escrever... rs Mentira, tenho sim, sou atrevida!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Um mês, trinta livros! - copiado da Lu



Copiando do Eu sou a graúna que viu no Pergunte ao Pixel, vou copiar também!
Um mês, trinta livros!


 Day 01: All-time favorite book

Day 02: A book you don't like

Day 03: Favorite book as a child

Day 04: The first book that made you cry

Day 05: A book that makes you laugh

Day 06: A book by your favorite author

Day 07: A book you hated but had to read for school

Day 08: Scariest book you’ve ever read

Day 09: Saddest book you’ve ever read

Day 10: Favorite classic

Day 11: Favorite animal book

Day 12: Favorite sci-fi book

Day 13: A book that reminds you of something/sometime

Day 14: A book that reminds you of someone

Day 15: Favorite holiday book

Day 16: Favorite book that was made into a movie

Day 17: A book that’s a guilty pleasure

Day 18: A book no one would expect you to love

Day 19: Favorite nonfiction book

Day 20: The last book you read

Day 21: The best book you’ve read this year

Day 22: Favorite book you had to read for school

Day 23: The book you’ve read the most times

Day 24: Favorite book series

Day 25: A book you used to hate but now love

Day 26: A book that makes you fall asleep

Day 27: Favorite love story

Day 28: A book you can quote by heart

Day 29: A book someone read to you

Day 30: A book you haven’t read yet but want to


Como não estou postando nada esses dias, vamos nos obrigar a escrever e treinar a memória e buscar os sentimentos?

Começo amanhã! http://eusouagrauna.blogspot.com/

terça-feira, 24 de maio de 2011

Musica ao longe

Clarissa, de Érico Veríssimo, é uma personagem simples, mas interessante.
Não gostei do livro que leva seu nome, muito bobinho até para a adolescente que eu era.
Mas em Música ao longe, o segundo romance em que ela aparece,  eu me apaixonei por ela.
Se no primeiro romance ela era uma tímida normalista, que vivia longe dos pais, com devaneios tolinhos (não, tolinhos não, nenhum devaneio é tolo), em Música ao longe ela é uma jovem que voltou à cidade natal e caiu na realidade.

Entre as decepções com a família, com as amizades, com aquele mundo que ela guardava com tanto zelo enquanto estava longe, ela conhece o amor.
E o amor é como música ao longe...

O amor vem para Clarissa na figura de Vasco, o primo mais velho.
Filho de um pintor andarilho, que apaixonara, casara mas não conseguira suportar as amarras da tradicional e hipócrita família Albuquerque, Vasco é como o tigre: saiu pintado, puxou ao pai.

É um inconformado, um rebelde, um revolucionário.
É o único que não vive das longíquas glórias de tempos passados, não vive de história, tradição e hipocrisia.

Ele e Clarissa se estranham, ele a isola, acreditando que a "Princesa do Figo Bichado" cresceu para se tornar mais uma insuportável solteirona preconceituosa.

Mas ele se surpreende, ao ler o diário de Clarissa.
Essa invasão de privacidade faz com que ela também tenha a curiosidade despertada sobre o primo, e ela invade o quarto de Vasco, se sentindo culpada por entrar no quarto de um homem, e ao mesmo tempo, excitada com as descobertas. Pinturas, do pai de Vasco e do próprio Vasco. Livros. Livros sérios, de gente grande, livros de Marx, livros sobre países distantes, em outras línguas.

Aquela sensação que ela não conseguia explicar, de que havia algo errado com o mundo, mas não podia compartilhar com ninguém... Ela descobre que não está sozinha nas suas sensações.

Acho que o amor deve ser isso.

Mas o que sei eu do amor?


E Vasco, o aventureiro, se sente dividido entre o desejo de sair pelo mundo, e o desejo de ficar.

Não sei como termina a história, comecei a ler Um lugar ao sol e Saga, onde os personagens ressurgem, mas preferi mantê-los na lembrança como quando os conheci.
Dois jovens, descobrindo o mundo e o amor.
Antes que um final feliz antecipado e impossível poluísse a história, ou antes de descobrir que na verdade, eles não ficam juntos.

Assim como Vasco, eu me divido entre o desejo de partir e o desejo de criar raízes.
Será possível ser uma árvore errante? Quem sabe um bonsai, que possa ser levado.
Mas não, não quero ser levada, conduzida. Quero ir com meus próprios pés, para onde a vida me levar.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Inspiração ou cópia descarada?


"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" Lavoisier

Bem, na literatura também, pelo que parece.
Pois bem. Eu já havia tido essa experiência antes, com a Bridget Jones: o livro, apesar de legal (o primeiro, claro) é a versão "atualizada" de Orgulho e Preconceito.

Estive lendo "Percy Jackson e os Olimpianos - O Ladrão de Raios", e logo em seguida, emendei o livro 2, "O Mar de Monstros".
Legalzinho, facinho, etc, já li piores.
Mas, além de sentir a tentativa de copiar Harry Potter, para nós, brasileiros, tem um outro livro que já se inspirou na Grécia Antiga, nos deuses e semideuses ou heróis, e me cativou durante a infância.
Alguém aí lembra?
Da série "O Sítio do Pica-Pau Amarelo"!
"Os doze trabalhos de Hércules"!!!!
Gente, eu era fascinada com a Grécia, e como havia lido toda a obra, mais de uma vez, inclusive, sempre impressionava os adultos com meu "profundo conhecimento" da Grécia Antiga... (graças à blblioteca da Ana, mãe do Diego, grande garoto!)
Era engraçado, como eu era fascinada com aquela época, como o Monteiro Lobato me transportava para a época de Ouro da civilização helenica... e como a Emília sempre tinha um comentário crítico sobre tudo! D. Benta vinha doutrinando, toda erudita, e a Emília viajava...


Harry Potter me lembra muito muito muito O Senhor dos Anéis.
E o Percy Jackson, que quer ser Harry Potter, é cópia de lendas gregas!
O primeiro livro me lembrou muito o Monteiro Lobato, porque foi inspirado nos doze trabalhos de Hércules, e meu primeiro contato com "o mundo grego", como já disse, foi através do sítio.
Tem o herói (filho de um dos "três grandes", Poseidon, assim como Hércules era filho de Zeus) enfrentando Fúrias,Minotauro, Quimera, Medusa, Cérbero (cão guardião dos portões do mundo inferior).
Me deu vontade de reler a Emília!!!
Já o segundo livro, O Mar de Monstros, inspira-se nas peripécias de Ulisses, aquele safado que ficou passeando por vinte anos, depois do fim da guerra de Tróia, enquanto a retardada da Penélope ficava em casa, tecendo sem parar, esperando ele voltar (a não ser que fiar seja uma metáfora para outra coisa, não faria o mesmo que ela jamais!!!).



Ia comprar os dois últimos no shopping hoje, mas resolvi comprar no Submarino, estavam com frete grátis, e custando metade do preço que paguei na Leitura, como sempre...
Agora, substituir Harry Potter? Não, não creio nisso não...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Orgulho e Preconceito

Descobri Jane Austen há cerca de 15 anos, com uma versão adaptada (muito toscamente) de Orgulho e Preconceito.
Durante anos procurei a versão original, mas não encontrava em português, somente importado de Portugal.
Então, já no século XXI... Jane foi redescoberta pela mídia, e, graças às deusas e deuses, republicaram a maioria de suas obras.

Fizeram até um filme, ficcionalizando sua vida, e intensificando seus romances...

Jane é interpretada por Anne Hathaway, e seu amor impossível, por James McAvoy


Tenho uma versão em inglês, com as obras completas, e então li Northanger Abbey e Mansfield Park.
Filmes, são tantos...
Mas o principal, e parece que foi o que reiniciou a febre de Jane Austen foi o lançamento, em 1995, da versão de Orgulho e Preconceito, pela BBC.
A série foi mencionada dentro do livro Bridget Jones, no limite da razão (que é a sequência do primeiro livro, e é muito fraco). A melhor coisa do livro é quando ele fala da mini-série, e entrevista o Colin Firth-Mr. Darcy. É hilário.


Outro filme, do qual gostei muito, é o Clube de Leitura de Jane Austen.
Seis pessoas resolvem formar um clube de leitura, e vão ler as seis obras principais da autora.
Cinco dessas pessoas são mulheres, já amigas há tempos, e a sexta pessoa é um rapaz, que é convidado por uma delas, para ser par romântico de outra, recentemente divorciada. Essa parte já é inspirada em Emma, com sua mania de querer arranjar as vidas amorosas das pessoas ao seu redor...


Porque Jane foi lembrada, quase dois séculos depois de sua morte?

Bem, ela sempre foi muito lida na Inglaterra, pelo que soube.
Inspirou inúmeros livros e filmes, alguns de época, e outros adaptados, como Bridget Jones, que bebe na fonte de Orgulho e Preconceito, e As patricinhas de Beverlly Hills, que é baseado em Emma.

Hoje, posso dizer que já li todos os livros publicados.
Meu primeiro foi Orgulho e Preconceito, depois li Emma, depois Razão e Sensibilidade.
Depois encontrei Persuasão, que se tornou meu segundo favorito (não tem quem possa vencer Lizzy e Mr. Darcy...)

A estrela indiana Aishwarya Rai faz a Lizzy (sua versão indiana, pelo menos),no ótimo Bride and Prejudice (o título em português não tem nada a ver com nada: A noiva indecisa, eca!)
O Naveen Andrews (o Sayd, de Lost), faz o Mr. Bingley, e o ator que faz o Mr. Darcy é fofinho (apesar que eu preferiria o Sayd!)

Em 2006, foi lançado o filme Orgulho e Preconceito, com a então queridinha da Inglaterra, Kiera Knightley. Assisti no cinema, com a Mônica e a Deise. A gente estava cursando a Acadepol, fomos no pátio Savassi, com o uniforme de golinha vermelha, de caixa do Epa...
E o filme é bonito, imagens lindas, e tal, mas é muito gótico, muito tenso. O livro é mais leve, a Lizzy é mais atrevida, sem ser petulante, eu acho.


Agora, encontrei a série da BBC à venda, na Livraria Cultura. Ela foi transmitida no Brasil pelo canal à cabo AeE, mas eu não vi.

Estou adorando. A Lizzy está perfeita.


Nos livros da Jane Austen ninguém se beija.
Mas se olha. Muito.

E a ironia que há em frases como a que abre Orgulho e Preconceito, gente...
E pensar que foi uma mulher, em pleno século XIX, na Inglaterra rural!
Jane manda, cara!!!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sobre livros e estantes...


Meus livros estavam um pouquinho espalhados, e empilhados, e desarrumados, então, sábado saí para comprar estantes.

Queria mandar fazer, sabe, planejado, bonitin... mas ia ficar bem fora do meu orçamento, ah nem...
Então, fui em uma loja da Leroy (depois de pesquisar um pouco) e comprei três estantes grandes e uma média (pq só tinham três grandes...)
E fui montando-as aos poucos, terminei agora à pouco.
Não consegui organizar meus livros todos, ainda tem alguns deitados, e a divisão de espaço entre uma prateleira e outra é ridícula (tem uns vãos com mais de 40 cm, desperdiça espaço, poucos livros tem mais de 25 ou 30 cm de altura - só atlas, eu creio)
- falando nisso, tenho que achar o atlas branco da Barsa... totalmente desatualizado, mas me recorda minha infância!


Eu cresci amando livros, o conteúdo e o suporte físico do livro.
Compartilho com várias pessoas a mania de ler. Se fico muito tempo em um lugar que não tem nada para ler, leio bula de remédio e manual de instruções.
Já me peguei tendo que esperar pela transferência de veículos por mais de uma hora, e não tinha nada para ler, nem lugar nenhum para comprar um jornal. Por sorte, havia o manual do carro, no portaluva. Creio que foi a única vez que o abri (o manual, não o portaluvas... )

Tenho conhecidos que comentam que gostariam que os filhos lessem, mas não tem um livro em casa.

Então, fica a dica: se você acha que ler é importante (e deve achar, se está lendo este bloguinho, que ainda não disse a que veio... ), tenha livros em casa!
Livros novos, livros velhos, revistas em quadrinhos, livros infantis, enciclopédias (compre uma no sebo, a Barsa é pura poesia!).



E este é o motivo do post de hoje: livros, infância, como gostar de ler!

Não, eu não tenho a receita.

Creio que tive sorte, como diz a Sara Crewe, no livro A Pequena Princesa: sorte de gostar de ler, sorte de ter pais que compravam livros, assinavam revistinhas, me deixavam fazer torres e pontes com os exemplares das enciclopédias.

Eu e meus irmãos fazíamos castelos com livros, pontes, rampas para subir com os carrinhos, tudo isso e mais.
Livro, aqui em casa, nunca foi para enfeitar estante.
E sempre tivemos muitos: didáticos, romance, de história, enciclopéidias, coleções, de banca, de fascículos que a gente mandava encadernar depois, novos, muito velhos, de sebo...



Minha mãe nunca reclamou que livro junta poeira.
Sempre temos jornais e revistas espalhados pela casa.
Meu pai gostava de ler - hj lê mais o jornal, mas pelo menos lê.
Minha mãe coleciona receitas e livros de receita. Mais do que muita gente, que não lê nada.
Minha avó Maria, com quem vivi até os quatorze anos, quando ela morreu, lia livros de orações.
Tia Marilene lia de tudo - de livros de pedagogia e psicologia a romances água com açúcar.



Quando criança, me diziam que eu esquecia da vida quando enfiava o nariz atrás de um livro.
Adulta, continuam dizendo isso...



Meu sonho é uma biblioteca, tipo essa da fotinha, com prateleiras do chão ao teto, e com aquela escadinha para alcançar as prateleiras do alto.

Adoro Jane Austen, e em todas as obras dela, sempre há uma biblioteca. Eu imagino as bibliotecas inglesas assim, com livros encadernados em couro, do chão ao teto, e ainda em mesinhas redondas, do lado de grandes poltronas, onde a gente pudesse se enroscar e sumir, lendo um bom livro...


Tenha Monteiro Lobato, tenha Harry Potter, tenha Crepúsculo, tenha Sidney Sheldon e Danielle Steele. Tenha Agatha e John Grisham.

Tenha romances de faroeste, daqueles bem antigos, e tenha julias, sabrinas, biancas...

Nenhuma leitura é inútil ( a não ser que seja incitadora do racismo, do sexismo, da homofobia, da xenofobia, da intolerância religiosa ou qualquer outra: aí não é inútil, é maléfica mesmo)

Tenha Jorge Amado, Jane Austen, Zélia Gattai e Anne Rice.
Tenha Tolstoi, Hemingway e Nabokov.
Tenha George Orwell, tenha Machado de Assis, José de Alencar, Autran Dourado, Clarice Lispector e Guimarães Rosa.

Tenha e leia filosofia, sociologia, dicionários (mais de um, e pelo menos um Aurélio do grande!)

Internet é tudo de bom, mas nada substitui um bom livro, na cama, com uma xícara de café, leite ou coca-cola gelada, dependendo do clima.

Falando nisso, estou fazendo a campanha: amigos, quem estiver com livro meu emprestado, favor informar ( e se possível, devolver!) - Estou fazendo o censo!!!


Ah, e hoje, 17 de maio, é aniversário da Solange!!!!
Feliz aniversário!!!!

E também, dia internacional de combate à homofobia!


domingo, 16 de maio de 2010

Sobre livros e sapatos

Sexta-feira tive um compromisso no prédio da Chefia da PCMG, e de lá, decidi ir até o edifício Maleta, fazer um passeio pelos sebos do local.

Queria comprar alguns livros, para começar o projeto do mestrado, que não sei ainda o que vai ser, mas vai ser com certeza na área de ciências sociais, com ênfase na segurança pública e na polícia.

Parei o carro no estacionamento do Shopping Cidade (o maior e mais barato da região, pelo que sei), e desci à pé, passando pela Goitacazes. Passei em frente a uma loja de sapatos, chamada Constance, que eu adoro porque os calçados ficam expostos pelo número, e a gente experimenta sem ter que ficar pedindo à vendedora. Não resisti: entrei, e calcei váaaarios!
Mas não comprei.

Então fui para o Maletta, na Augusto de Lima com Bahia.


E fiz a rota de sempre, dos sebos.

Encontrei o que procurava (Foucault, As palavras e as coisas, e outros que não procuravam mas me saltaram aos olhos, e tive que trazer para casa: As prisões da miséria, Mulheres na polícia e Elemento suspeito).



Ótimo, vou embora, já estava acabando o horário de almoço, tenho que voltar para o trabalho.
Mas tive que passar em frente à Constance, de novo.
Me baixou a Becky Bloom, e me soprou: "vc já comprou sapatos, agora é hora da futilidade... vc merece, afinal..."
Ah, era o que eu precisava ouvir.
Comprei um peep toe com salto 11, roxo, lilás e dourado!

Essa sou eu: entre Foulcaut e peep toes chamativos....