Tem dias que eu queria ser a maioria.
Simplesmente nem tentar sair do meu lugar, me deixar levar pela onda conservadora e moralista e hipócrita, sentar no meu sofá, atrás do meu monitor de LCD ou com o smartphone na mão e usar na vida o filtro invisível das redes sociais. Bloquear. Ativar o filtro e nunca mais ler a pessoa.
Mas não dá mais.
Não sei, pode ser uma mutação, mas sempre me senti desconfortável com muita coisa, para as quais eu não tinha nome.
Hoje tem.
Racismo, homofobia, sexismo, machismo, preconceito de classe, cissexismo.
Eu sou um produto do meu meio, assim como quase todo mundo.
Eu me revolto contra esse meio, as vezes de forma desastrada, ineficaz.
Desde que fui aprovada em um concurso público, para a carreira policial, todas as mazelas do mundo vieram dar no meu colo, na minha mesa, me esbofeteando e me mostrando como eu cresci protegida.
Me mostrando que ler Jorge Amado e Graciliano Ramos e saber da miséria da seca no sertão do nordeste na década de 30 e as mazelas da São Paulo urbana na mesma época, não me preparou em nada para lidar com a miséria, a pobreza, a fome e a violência em uma cidade como Contagem.
Em um dos encontros que tive com a turma da faculdade, Direito, anos depois de formada, já trabalhando como Delegada, um colega me disse que eu paguei a língua.
Que eu, defensora de Direitos Humanos desde a faculdade (engraçado, meus colegas se lembram de mim já como defensora dos "oprimidos". Eu não consigo me lembrar. Faculdade agora é uma época tão longíqua, tão protegida, tão livre de responsabilidades da vida adulta.) fosse trabalhar na polícia, a maior violadora de Direitos Humanos.
E eu respondi que era exatamente ali que eu deveria estar, então, para poder mudar alguma coisa por dentro, de dentro. Que era o melhor lugar para alguém como eu.
E ainda penso assim.
Mesmo não conseguindo fazer tudo o que quero.
Mesmo tendo que lidar com uma cultura que é respaldada e incentivada pela sociedade, de porrada e jeitinhos e pé na porta, e gritos e indiferença com os "alvos" da Segurança Pública.
Mas não são todos que estão imersos e absortos nessa cultura. Não são.
É a maioria? Talvez. Mas não todos e todas.
Por isso eu continuo, e eu tento fazer algo de bom.
E nessa carreira, eu conheci o ódio.
E eu conheci o ódio.
O ódio ao outro.
E o ódio a mim.
Ser policial não é fácil quando você questiona os padrões, os papéis há muito estipulados e divididos.
Ser odiada por ser policial, apenas, e por ser (tentar, ao menos?) sair do lugar comum também não é nada fácil.
Acho que ser alvo de ódio, algo que não era presente na minha vida, pelo contrário, me fez sentir empatia por quem é odiado.
E tem tanto ódio por aí. Por aqui.
Tanto rancor, tanto temor do diferente, que se transforma em ódio e se revela nas palavras duras, cruéis, ou nas palavras sutis e lapidadas com o conhecimento acadêmico, ou supostamente acadêmico, sei lá.
Que sei eu?
Sei que quando uso uma palavra ou uma expressão que ofende ou incomoda alguém, quando alguém de algum grupo que já é tantas vezes odiado, invisibilizado, oprimido, eu tento parar de usar. Eu tento refletir, sentir se é necessário ou não, mas principalmente, eu paro de usar. Porque pode ofender, magoar ou entristecer alguém que já vive com tanta dor.
E me perturbou uma discussão relativamente recente, que me fez perceber que eu espero demais das pessoas. E talvez também as pessoas esperem demais de mim. Talvez eu espere demais de mim, também.
A verdade é que comecei esse post com mágoa, com raiva, com amargor.
Mas estou tentando não cultivar isso.
Sei que o ódio é necessário.
Sei que muita gente precisa dele para viver.
Eu não.
Eu não quero mais o ódio.
Ele já está muito presente na minha vida, no meu dia a dia.
E eu não sou santa, nem sou madre Teresa.
Eu sou autoritária, muitas vezes fútil.
Consumista, compulsiva, falo demais.
Bebo, falo besteira, faço besteiras.
Tenho defeitos, mais defeitos do que consigo lembrar agora.
E tenho qualidades.
E uma delas é que sou generosa.
Sou boa.
Nem sempre consigo acertar e talvez boas intenções encham o inferno, eu sei.
Mas não vou me desculpar por isso.
----------------------------------
Esse post foi iniciado há muitos meses, não lembro a data, e estou trabalhando para não gastar energia guardando mágoa, apesar do meu signo do caranguejo ser bem rancoroso.
E hoje, quando vim aqui, escrever quem sabe uma retrospectiva de 2012, fazer projetos para 2013, e adiante, vi o rascunho, li, e decidi publicar.
Porque apesar do tempo, ele continua atual.
Preciso trabalhar nisso!
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domingo, 30 de dezembro de 2012
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Pequena tragédia, em um ato
Uma cena em tempo real, com quatro personagens:
A - homem, branco, 22-28 anos, vestindo jeans, tênis, camisa;
B - mulher, branca, 40-45 anos, vestindo legging preta, chinelos e camisa;
C - mulher, branca, 30-35 anos, vestindo vestido preto e branco, scarpins, óculos escuros;
D - homem, branco, 40-50 anos, vesindo bermuda, chinelo, camisa polo, boné;
Todos aparentemente cissexuais, aparentemente heterossexuais e aparentemente classe média.
O cenário:
mercado central de uma cidade metropolitana, 12:00. Um dia qualquer.
(Personagem C chega no mercado, e vai até o local onde ficam os caixas eletrônicos, onde já se encontram A e B, além de um senhor com uma criança, que já estão usando um dos caixas, do banco X, e outra pessoa, no banco Y. Personagem C vê que existem pessoas na sua frente, mas não sabe qual fila deve esperar, já que não há divisórias e o personagem A está no meio do corredor, enquanto a personagem B está do lado do caixa, perpendicular à parede do corredor.)
Personagem C: Por favor, qual é a fila para o Banco X?
Personagem B: aqui, atrás de mim.
(Personagem C vai para trás da Personagem B. Personagem A olha para as duas, aparentemente percebendo que Personagem B já estava no local antes que ele chegasse, se aproxima. Personagem C cede o lugar, e ficam os três, parados.)
Personagem B: Vocês sabem se tem caixa eletrônico do banco Z aqui?
Personagem A: Não sei, não.
Personagem C: Acho que tem, mas não sei onde fica.
Personagem B: Ah, brigada. Acho que vou usar o X, mesmo. Aproveitar enquanto não tiram, né?
Personagem C: Verdade. Com essas explosões, não é mesmo? O da fármácia, perto da minha casa, já foi retirado. Todos estão com medo, o prejuízo é grande, né?
Personagem A: Vocês sabiam que vai ter uma lei para proibir caixas eletrônicos???
Personagens B e C dizem em uníssono: COMO ASSIM?
Personagem A: Pois é, já que não tem jeito de colocar um policia em cada caixa, né, que é o que eles deviam fazer. A gente paga impostos!!!
Personagem B: Mas, rapaz, eu até queria, as vezes, mas ninguém tem como ter um policial 24 à sua disposição! Não é?
Personagem C sorri amarelo: E também, não ia adiantar, porque as quadrilhas que explodem os caixas eletrônicos são bem armadas, e renderiam facilmente um policial, você não concorda?
Personagem B: Ainda tem isso, verdade, ninguém vai morrer por causa disso. Se bem que eu já fui roubada - diz com expressão orgulhosa - e não deixei barato, dei um pega no ladrão, e ele não levou o que queria!
Personagem A: E também acho que policia não ia adiantar, porque policia é tudo corrupto!!!
Personagem C, novamente, sorri amarelo, mas com o rosto já corado. Personagem A não percebe nada, e continua falando.
Personagem A: Porque nesse país, nada vai pra frente. DEVIAM MATAR TODOS OS POLÍTICOS, PEGAR ESSES CARAS QUE ESTÃO EXPLODINDO OS CAIXAS E EXPLODIR BRASÍLIA!!!!
Personagem B: Meu filho, vocé é muito revoltado, né? (diz, olhando para Personagem C, que só acena com a cabeça)
Personagem A: EU SOU PAI DE FAMÍLIA, SOU TRABALHADOR, SOU CASADO, SOU BEM SUCEDIDO! NÃO SOU REVOLTADO! SE EU FOSSE REVOLTADO EU NÃO TINHA NADA!!!
Personagem C: Mas eu, de certa forma, posso dizer que sou bem sucedida, que tenho tudo que quero, e sou super revoltada, uai! Não tem nada a ver uma coisa com a outra...
Personagem B: É,uai, não entendi. Eu acho que o mundo está muito estranho, ninguém mais liga para os outros.
Personagem A: É, as pessoas não valem nada mesmo, todo mundo só quer se dar bem.
Personagem C: Ah, mas ainda acho que existe muita gente boa, se fossemos todos ruins, nossa, nem imagino como seria!
Personagem A: Eu acho que é tudo culpa dos políticos, esse bando de ladrões. ALGUÉM TEM QUE EXPLODIR BRASÍLIA!!!
Personagem C (perdendo a paciência): MAS BRASILIA É RESULTADO DO VOTO, VOCÊ LEMBRA EM QUEM VOTOU NA ÚLTIMA ELEIÇÃO? SABE O QUE ELE FEZ???
Personagem B: Pois é, a gente não sabe votar, este ano vai ser dose, aquele ex-prefeito querendo ser eleito de novo, socorro, onde essa cidade vai parar??
Personagem C: Eu já disse que se ele se eleger, eu me mudo. Enquanto ele for prefeito eu não vou morar aqui!
Personagem A: MAS ELE CONSTRUI O HOSPITAAAAL!!!!
Personagens B e C, juntas: COMO ASSIM?
Personagem A (finge que não ouviu e continua): Ele parou de cobrar IPTU, e essa cambada que tá ai, aquele outro, que é defensor de vagabundo, de bandido, vai voltar com o IPTU. EU NÃO PAGO IPTU! É UM ABSURDO!! EU COMPRO UM CARRO POR ANO COM O VALOR DO IPTU! EU NÃO ACEITO PAGAR IPTUUUUUUUUU!!!
Personangem C: MAS É UM ABSURDO! TODO MUNDO TEM QUE PAGAR IPTU, É PRATICAMENTE O ÚNICO IMPOSTO QUE É JUSTO, PORQUE IMÓVEIS DE RICOS PAGAM MAIS!!!!
Personagem B: E eu lembro como era, quando ele era prefeito, não tinha nada, só aquela casca de hospital que foi inaugurado só para mostrar. Quando o governo atual assumiu, não tinha nem gaze no hospital, a corja dele, cabide de emprego, levou até os clipes de papel!
Personagem A: MAS POLÍTICA É ASSIM MESMO, TODO MUNDO FAZ!!!!!
Personagem C (visivelmente se contendo): MAS É POR ISSO QUE ESTÁ TUDO ASSIM! Como pode, um rapaz jovem como você, ter essa cabeça?
Personagem A: Mas prefeito bom aqui foi aquele que asfaltou as ruas tudo. Ele era bão! Rouba mas faz!!!
Personagem B: Meu filho, governo bom foi este, pena que não pode continuar.
Personagem C: Também acho. Por isso vou votar no candidato de continuidade.
(Personagem B vê que o caixa vagou, e vai sacar dinheiro. Nisso, surge um senhor idoso. Personagem B percebe e cede a vez.)
Personagem A: Ah, eu não aceito isso não, uai! Esse povo é muito folgado!
(O senhor idoso tenta, tenta, enquanto o papo meio que morre entre A, B e C. Até que o velhinho se vira e pede ajuda. Personagem B e C se oferecem para ajudar. Não adianta, o cartão não foi reconhecido, elas sugerem que ele vá até a agência. Personagem B vai sacar seu dinheiro. Personages A e C aguardam na fila.)
Personagem A: Eu não ajudo não, esses véio, porque depois dá confusão. Você... não é que você seja velha... é que ....
Personagem C: hum.
(Surge o Personagem D, e para no meio do corredor, fora da nova fila formada por B, agora no caixa, A e C.)
Personagem C: Senhor, a fila para o banco X é aqui.
Personagem D: Não é não, sempre foi aqui.
Personagem C: É que aí fica no meio do corredor, atrapalha as pessoas passarem, a gente achou melhor fazer aqui.
Personagem D: Problema seu. A fila é aqui, sempre foi, e eu não vou mudar.
(Personagem C, olha, perplexa, para o personagem A, que sorri amarelo.)
Personagem C: Tá vendo porque as coisas não melhoram? Uma coisa mais boba, que é muito mais prática, não muda. É brincadeira...
Personagem A: Ah, mas... ele tem a opinião dele....
(Personagem A visivelmente desconversa. Personagem C fica visivelmente fumegando. Personagem B termina de usar o caixa, se despede e vai embora. Personagem C fica no seu lugar, perpendicular ao corredor, e não na frente do caixa, no meio do corredor. Outras pessoas chegam, e vão para trás do personagem D. Personagem A usa o caixa e sai. Personagem C usa o caixa, e sai.)
(Cai o pano.)
-------------------------------------------------------
(ah, me perguntaram no FB o que é cissexual, e eu linkei este post: O que é cissexismo. Achei relevante colocar, porque, como já havia descrito as pessoas pela idade, pelo gênero e pela cor, achei que era importante deixar ainda mais claro que nenhum dos personagens pertence - ao menos aparentemente - às minorias tradicionamente oprimidas socialmente, apesar de, enquanto mulher cis, hétero, eu sofrer, sim, diversas discriminações. Acho que, na análise que eu não fiz da cena, aqui no post, é importante contextualizar ao máximo as minhas impressões de cada personagem, para que o leitor possa também situá-los. Pode ter sido desnecessário? Será? )
A - homem, branco, 22-28 anos, vestindo jeans, tênis, camisa;
B - mulher, branca, 40-45 anos, vestindo legging preta, chinelos e camisa;
C - mulher, branca, 30-35 anos, vestindo vestido preto e branco, scarpins, óculos escuros;
D - homem, branco, 40-50 anos, vesindo bermuda, chinelo, camisa polo, boné;
Todos aparentemente cissexuais, aparentemente heterossexuais e aparentemente classe média.
O cenário:
mercado central de uma cidade metropolitana, 12:00. Um dia qualquer.
(Personagem C chega no mercado, e vai até o local onde ficam os caixas eletrônicos, onde já se encontram A e B, além de um senhor com uma criança, que já estão usando um dos caixas, do banco X, e outra pessoa, no banco Y. Personagem C vê que existem pessoas na sua frente, mas não sabe qual fila deve esperar, já que não há divisórias e o personagem A está no meio do corredor, enquanto a personagem B está do lado do caixa, perpendicular à parede do corredor.)
Personagem C: Por favor, qual é a fila para o Banco X?
Personagem B: aqui, atrás de mim.
(Personagem C vai para trás da Personagem B. Personagem A olha para as duas, aparentemente percebendo que Personagem B já estava no local antes que ele chegasse, se aproxima. Personagem C cede o lugar, e ficam os três, parados.)
Personagem B: Vocês sabem se tem caixa eletrônico do banco Z aqui?
Personagem A: Não sei, não.
Personagem C: Acho que tem, mas não sei onde fica.
Personagem B: Ah, brigada. Acho que vou usar o X, mesmo. Aproveitar enquanto não tiram, né?
Personagem C: Verdade. Com essas explosões, não é mesmo? O da fármácia, perto da minha casa, já foi retirado. Todos estão com medo, o prejuízo é grande, né?
Personagem A: Vocês sabiam que vai ter uma lei para proibir caixas eletrônicos???
Personagens B e C dizem em uníssono: COMO ASSIM?
Personagem A: Pois é, já que não tem jeito de colocar um policia em cada caixa, né, que é o que eles deviam fazer. A gente paga impostos!!!
Personagem B: Mas, rapaz, eu até queria, as vezes, mas ninguém tem como ter um policial 24 à sua disposição! Não é?
Personagem C sorri amarelo: E também, não ia adiantar, porque as quadrilhas que explodem os caixas eletrônicos são bem armadas, e renderiam facilmente um policial, você não concorda?
Personagem B: Ainda tem isso, verdade, ninguém vai morrer por causa disso. Se bem que eu já fui roubada - diz com expressão orgulhosa - e não deixei barato, dei um pega no ladrão, e ele não levou o que queria!
Personagem A: E também acho que policia não ia adiantar, porque policia é tudo corrupto!!!
Personagem C, novamente, sorri amarelo, mas com o rosto já corado. Personagem A não percebe nada, e continua falando.
Personagem A: Porque nesse país, nada vai pra frente. DEVIAM MATAR TODOS OS POLÍTICOS, PEGAR ESSES CARAS QUE ESTÃO EXPLODINDO OS CAIXAS E EXPLODIR BRASÍLIA!!!!
Personagem B: Meu filho, vocé é muito revoltado, né? (diz, olhando para Personagem C, que só acena com a cabeça)
Personagem A: EU SOU PAI DE FAMÍLIA, SOU TRABALHADOR, SOU CASADO, SOU BEM SUCEDIDO! NÃO SOU REVOLTADO! SE EU FOSSE REVOLTADO EU NÃO TINHA NADA!!!
Personagem C: Mas eu, de certa forma, posso dizer que sou bem sucedida, que tenho tudo que quero, e sou super revoltada, uai! Não tem nada a ver uma coisa com a outra...
Personagem B: É,uai, não entendi. Eu acho que o mundo está muito estranho, ninguém mais liga para os outros.
Personagem A: É, as pessoas não valem nada mesmo, todo mundo só quer se dar bem.
Personagem C: Ah, mas ainda acho que existe muita gente boa, se fossemos todos ruins, nossa, nem imagino como seria!
Personagem A: Eu acho que é tudo culpa dos políticos, esse bando de ladrões. ALGUÉM TEM QUE EXPLODIR BRASÍLIA!!!
Personagem C (perdendo a paciência): MAS BRASILIA É RESULTADO DO VOTO, VOCÊ LEMBRA EM QUEM VOTOU NA ÚLTIMA ELEIÇÃO? SABE O QUE ELE FEZ???
Personagem B: Pois é, a gente não sabe votar, este ano vai ser dose, aquele ex-prefeito querendo ser eleito de novo, socorro, onde essa cidade vai parar??
Personagem C: Eu já disse que se ele se eleger, eu me mudo. Enquanto ele for prefeito eu não vou morar aqui!
Personagem A: MAS ELE CONSTRUI O HOSPITAAAAL!!!!
Personagens B e C, juntas: COMO ASSIM?
Personagem A (finge que não ouviu e continua): Ele parou de cobrar IPTU, e essa cambada que tá ai, aquele outro, que é defensor de vagabundo, de bandido, vai voltar com o IPTU. EU NÃO PAGO IPTU! É UM ABSURDO!! EU COMPRO UM CARRO POR ANO COM O VALOR DO IPTU! EU NÃO ACEITO PAGAR IPTUUUUUUUUU!!!
Personangem C: MAS É UM ABSURDO! TODO MUNDO TEM QUE PAGAR IPTU, É PRATICAMENTE O ÚNICO IMPOSTO QUE É JUSTO, PORQUE IMÓVEIS DE RICOS PAGAM MAIS!!!!
Personagem B: E eu lembro como era, quando ele era prefeito, não tinha nada, só aquela casca de hospital que foi inaugurado só para mostrar. Quando o governo atual assumiu, não tinha nem gaze no hospital, a corja dele, cabide de emprego, levou até os clipes de papel!
Personagem A: MAS POLÍTICA É ASSIM MESMO, TODO MUNDO FAZ!!!!!
Personagem C (visivelmente se contendo): MAS É POR ISSO QUE ESTÁ TUDO ASSIM! Como pode, um rapaz jovem como você, ter essa cabeça?
Personagem A: Mas prefeito bom aqui foi aquele que asfaltou as ruas tudo. Ele era bão! Rouba mas faz!!!
Personagem B: Meu filho, governo bom foi este, pena que não pode continuar.
Personagem C: Também acho. Por isso vou votar no candidato de continuidade.
(Personagem B vê que o caixa vagou, e vai sacar dinheiro. Nisso, surge um senhor idoso. Personagem B percebe e cede a vez.)
Personagem A: Ah, eu não aceito isso não, uai! Esse povo é muito folgado!
(O senhor idoso tenta, tenta, enquanto o papo meio que morre entre A, B e C. Até que o velhinho se vira e pede ajuda. Personagem B e C se oferecem para ajudar. Não adianta, o cartão não foi reconhecido, elas sugerem que ele vá até a agência. Personagem B vai sacar seu dinheiro. Personages A e C aguardam na fila.)
Personagem A: Eu não ajudo não, esses véio, porque depois dá confusão. Você... não é que você seja velha... é que ....
Personagem C: hum.
(Surge o Personagem D, e para no meio do corredor, fora da nova fila formada por B, agora no caixa, A e C.)
Personagem C: Senhor, a fila para o banco X é aqui.
Personagem D: Não é não, sempre foi aqui.
Personagem C: É que aí fica no meio do corredor, atrapalha as pessoas passarem, a gente achou melhor fazer aqui.
Personagem D: Problema seu. A fila é aqui, sempre foi, e eu não vou mudar.
(Personagem C, olha, perplexa, para o personagem A, que sorri amarelo.)
Personagem C: Tá vendo porque as coisas não melhoram? Uma coisa mais boba, que é muito mais prática, não muda. É brincadeira...
Personagem A: Ah, mas... ele tem a opinião dele....
(Personagem A visivelmente desconversa. Personagem C fica visivelmente fumegando. Personagem B termina de usar o caixa, se despede e vai embora. Personagem C fica no seu lugar, perpendicular ao corredor, e não na frente do caixa, no meio do corredor. Outras pessoas chegam, e vão para trás do personagem D. Personagem A usa o caixa e sai. Personagem C usa o caixa, e sai.)
(Cai o pano.)
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Esse pequeno drama aconteceu comigo ontem. Está bem resumido, houve algumas adptações, mas a essência da conversa foi essa. E a fala final, de D, também.
Eu estava de vestido preto e branco.
Acho que se eu tivesse inventado o Personagem D para fazer o fechamento daquele diálogo com A, não teria sido mais conciso e preciso ao fornecer o exemplo claro do que falávamos.
Foi épico, quase. Uma pequena tragédia, em um ato.
Seria cômico, se não fosse trágico.
E real, infelizmente. Apesar de parecer meio... teatro do absurdo.
(ah, me perguntaram no FB o que é cissexual, e eu linkei este post: O que é cissexismo. Achei relevante colocar, porque, como já havia descrito as pessoas pela idade, pelo gênero e pela cor, achei que era importante deixar ainda mais claro que nenhum dos personagens pertence - ao menos aparentemente - às minorias tradicionamente oprimidas socialmente, apesar de, enquanto mulher cis, hétero, eu sofrer, sim, diversas discriminações. Acho que, na análise que eu não fiz da cena, aqui no post, é importante contextualizar ao máximo as minhas impressões de cada personagem, para que o leitor possa também situá-los. Pode ter sido desnecessário? Será? )
sábado, 14 de janeiro de 2012
As mentiras
Disseram que eram feitos um para o outro.
Disseram que eram almas gêmeas.
Disseram que se completavam.
Disseram que os opostos se atraiam.
Disseram, enfim, as mentiras de praxe.
Disseram que conversariam sobre tudo, e que seria só enquanto fosse bom.
Disseram, como disse, as mentiras de praxe.
Acabou que não eram assim perfeitos um para o outro, como sempre se soube.
Disseram então algumas das verdades que surgiram no caminho.
Algumas meias verdades também. Ou quem sabe, mais mentiras inteiras.
Mas aí, já não mentiam um para o outro.
Mentiam para si mesmos.
E seguiram, cada qual seu rumo, contando a si mesmos mentiras sobre o que passou.
Ou, quem sabe, sobre o que nunca houve.
Fim.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Sobre ver o que queremos ver...
As vezes, quando aponto para algum amigo ou parente um aspecto de alguma coisa que achei machista, homofóbico ou racista, me dizem:
"Credo, mas também, você encontra pelo em ovo. Fica procurando chifre em cabeça de cavalo, nossa. Não tem nada disso, você está viajando."
E outro dia, andando pela cidade, estava reparando em quantos cães abandonados estão por aí, em todas as esquinas. Alguns mais gordinhos, outros esquálidos e assustados.
Eu sempre gostei de bichos. Sempre.
Mas depois que passei a tentar realmente ajudar, parece que eles pulam diante dos meus olhos, em todos os lugares.
Eu escolhi abrir os olhos, e o coração.
Então, quando eu assisto "Enrolados", e vejo a princesa boazinha Rapunzel e seus longos cabelos loiros e lisos, e vejo a vilã, com cabelos negros e crespos, bem...
Eu escolhi ver, poxa, que ali, sim, se reproduz um estereótipo do que é bom, belo, digno de ser amado, e do que é ruim, feio, indigno de amor e respeito.
Quando eu vejo a publicidade ridícula de uns tais "panos umedecidos" para limpar o iogurte derramado, e depois, pela rua, toda a mulherada (branca, claro) gritando e levando cartazes de U-HU! eeu fico sim, indignada.
Porque eu escolhi ver, sim, o que há por trás dessa aparentemente inofensiva e "engraçada" peça publicitária.
Eu escolhi ver.
Escolhi ver porque eu gosto de pensar que posso tentar ao menos fazer alguma coisa, nem que seja escrevendo umas poucas linhas, nem que seja falando para uma pequena platéia, sempre que posso, nem que seja para refletir sobre isso a cada instante no meu trabalho e tentar fazer diferente.
E aí, como eu escolhi ver, tudo isso pula, sim, na minha cara.
Todos os dias.
Como os pobres cães abandonados, que estão sempre no meu mural das redes sociais.
Talvez eu fosse outra pessoa, se tivesse escolhido fechar os olhos e o coração.
Talvez sofresse menos.
Talvez não.
Isso sempre esteve em mim, questionar o que está posto, querer saber o porque, sofrer quando não posso mudar nada.
Boa sorte para quem escolhe fechar os olhos, e achar que é piada, que é pelo em ovo, que é chifre em cabeça de cavalo.
Espero que um dia, não terminem chifrados pelo unicórnio que escolheram NÃO ver.
"Credo, mas também, você encontra pelo em ovo. Fica procurando chifre em cabeça de cavalo, nossa. Não tem nada disso, você está viajando."
E outro dia, andando pela cidade, estava reparando em quantos cães abandonados estão por aí, em todas as esquinas. Alguns mais gordinhos, outros esquálidos e assustados.
Eu sempre gostei de bichos. Sempre.
Mas depois que passei a tentar realmente ajudar, parece que eles pulam diante dos meus olhos, em todos os lugares.
Eu escolhi abrir os olhos, e o coração.
Então, quando eu assisto "Enrolados", e vejo a princesa boazinha Rapunzel e seus longos cabelos loiros e lisos, e vejo a vilã, com cabelos negros e crespos, bem...
Eu escolhi ver, poxa, que ali, sim, se reproduz um estereótipo do que é bom, belo, digno de ser amado, e do que é ruim, feio, indigno de amor e respeito.
Quando eu vejo a publicidade ridícula de uns tais "panos umedecidos" para limpar o iogurte derramado, e depois, pela rua, toda a mulherada (branca, claro) gritando e levando cartazes de U-HU! eeu fico sim, indignada.
Porque eu escolhi ver, sim, o que há por trás dessa aparentemente inofensiva e "engraçada" peça publicitária.
Eu escolhi ver.
Escolhi ver porque eu gosto de pensar que posso tentar ao menos fazer alguma coisa, nem que seja escrevendo umas poucas linhas, nem que seja falando para uma pequena platéia, sempre que posso, nem que seja para refletir sobre isso a cada instante no meu trabalho e tentar fazer diferente.
E aí, como eu escolhi ver, tudo isso pula, sim, na minha cara.
Todos os dias.
Como os pobres cães abandonados, que estão sempre no meu mural das redes sociais.
Talvez eu fosse outra pessoa, se tivesse escolhido fechar os olhos e o coração.
Talvez sofresse menos.
Talvez não.
Isso sempre esteve em mim, questionar o que está posto, querer saber o porque, sofrer quando não posso mudar nada.
Boa sorte para quem escolhe fechar os olhos, e achar que é piada, que é pelo em ovo, que é chifre em cabeça de cavalo.
Espero que um dia, não terminem chifrados pelo unicórnio que escolheram NÃO ver.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Último
Dia 20.
Último livro que li...
"A insustentável leveza do ser" - Milan Kundera
Havia assistido o filme, anos, décadas, uma vida inteira, atrás.
Li - estou lendo - o livro.
Estou economizando nas páginas. Mas já estou nas últimas. E não quero que acabe. Mesmo já sabendo como vai acabar. Não quero me separar das páginas que poderiam ter feito minha vida diferente, hoje, se já as houvesse manuseado e digerido, antes.
Parece meio fútil, dizer que um livro poderia ter mudado minha vida.
Pode ser o momento em que o leio.
Pode ser a história que ele conta.
Não sei.
Sei que me sinto como Tereza, mas desejando ser Sabina.
Dói.
Ler "A Insustentável Leveza do Ser" dói.
Mas vale cada pontada, cada fisgada, cada lágrima derramada.
Não vou me arriscar a fazer uma análise. Não fiz em nenhum dos outros, não me sinto capaz de fazer nesse.
Esse é o último. Mas também é o primeiro.
Como tudo na vida.
Também estão participando (ou já terminaram):
A Tina Lopes, do Pergunte ao Pixel, a Lu, no Eu sou a Graúna, a Niara, do Pimenta com Limão, a Rita, do Estrada Anil, a Marilia, do Mulher Alternativa, a Cláudia, do Nem tão óbvio assim, a Grazi, do Romanceando, a Mayara, do Mayroses, o Pádua Fernandes, do O palco e o mundo, e a Renata Lins, do Chopinho Feminino
Último livro que li...
"A insustentável leveza do ser" - Milan Kundera
Havia assistido o filme, anos, décadas, uma vida inteira, atrás.
![]() | |
| Cena do filme, com o lindo Daniel Day Lewis e Juliete Binoche |
Estou economizando nas páginas. Mas já estou nas últimas. E não quero que acabe. Mesmo já sabendo como vai acabar. Não quero me separar das páginas que poderiam ter feito minha vida diferente, hoje, se já as houvesse manuseado e digerido, antes.
Parece meio fútil, dizer que um livro poderia ter mudado minha vida.
Pode ser o momento em que o leio.
Pode ser a história que ele conta.
Não sei.
Sei que me sinto como Tereza, mas desejando ser Sabina.
Dói.
Ler "A Insustentável Leveza do Ser" dói.
Mas vale cada pontada, cada fisgada, cada lágrima derramada.
Não vou me arriscar a fazer uma análise. Não fiz em nenhum dos outros, não me sinto capaz de fazer nesse.
Esse é o último. Mas também é o primeiro.
Como tudo na vida.
Também estão participando (ou já terminaram):
A Tina Lopes, do Pergunte ao Pixel, a Lu, no Eu sou a Graúna, a Niara, do Pimenta com Limão, a Rita, do Estrada Anil, a Marilia, do Mulher Alternativa, a Cláudia, do Nem tão óbvio assim, a Grazi, do Romanceando, a Mayara, do Mayroses, o Pádua Fernandes, do O palco e o mundo, e a Renata Lins, do Chopinho Feminino
domingo, 25 de setembro de 2011
Esperar, ansiar, recordar. Um livro e a saudade.
Dias sem escrever nada. Cabeça fervilhando, semana puxada.
Tentando dar uma acelerada e falar sobre saudades.
Porque devo escrever sobre livros que me lembrem algo, alguma época, alguém.
E a saudade não é acelerada. Pelo contrário, a saudade é lenta, arde como fogo brando. Não é fogueira. É banho-maria.
Saudade é fogo brando.
Eu sou canceriana. Sou apegada ao passado.
E como diz Wally Salomão (que tenho que ler!), “a memória é uma ilha de edição”.
Eu pego as partes boas, mas não esqueço das ruins. As vezes elas se apagam sozinhas. As vezes, são minha dose diária de amargura. Vou ingerindo as memórias ruins, até que elas se tornem palatáveis.
Saudade é seletiva. Como uma ilha de edição, eu vou montando o filme, na minha cabeça, deixando só o que há de bom, porque na verdade, eu só gosto do amargo do chocolate. Da vida, eu quero o doce.
E saudade é doce.
Saudade é recordar. Recordar. A raiz é “cor”, coração.
Recordar, decorar, saber de cor.
Tudo a ver com saudade.
Saudade de uma época.
Um livro que me lembra uma época...
Todos. Cada um, um momento.
Mas já que estou falando de saudade, vou falar de um só livro, que me lembra uma época e uma pessoa.
Me lembra de um amor.
“O Matador”. Patrícia Melo.
Me lembra da ansiedade de esperar por alguém, por alguém que era perfeito na sua imperfeição. Me lembra de esperar pelo amor.
A história bizarra de Máiquel, e sua trajetória no mundo do crime.
A história de amor entre o matador e Erica.
Morte, sangue, sujeira.
Bem, o amor veio e se foi. E o livro se foi com ele.
Agora, só ficou a memória.
A história real foi daquelas de contar na mesa de boteco, e ainda assombrar os ouvintes.
“Mas como!? Você foi louca! Mas que legal! Ah, não fica assim, você sabia que não ia durar para sempre... “
Sim. Foi efêmero.
Sim, eu amei.
E sim, Patrícia Melo sempre vai me lembrar daquela época. Da semana mágica entre planejar e esperar, e o começo dos meses que viriam.
Esperar, ansiosa. Excitada. Alucinada.
Planejar, executar, montar todo um castelo de cartas para receber uma pessoa, e construir uma ilha de fantasia no meio da árida realidade. Cerveja, vinho, sexo, beijos e abraços, livros e filmes. Música estranha, conversas de madrugada.
O castelo desabou. Sob uma avalanche de clichês.
Mas eu sempre terei Patricia, Maiquel e Érica.
Também estão participando a Lu, a Niara, a Marília, a Tina Lopes (quem começou com esse meme, que acaba atraindo mais e mais gente a cada dia!), a Rita, a Cláudia, a Grazy e a Mayara! terça-feira, 13 de setembro de 2011
Melhor ser sozinha do que viver num mundo desses
Recebi essa "maravilha" hoje, por e-mail.
Já havia bloqueado a pessoa em uma das contas, porque não aguento pérolas como essas.
Ele insistiu, em outro endereço de e-mail.
Ainda bem que não é uma pessoa do meu convívio, foi só alguém que conheci em algum evento, onde se trocam e-mails com todos.
Mas não sou burra nem ingênua de acreditar que não existem inúmeros, incontáveis, como ele. E elas, óbvio que aqui se incluem as mulheres.
E já vai um aviso: se vc concorda com o "autor" do e-mail:
me bloqueia, me unfolla, me erra, tá bom?
Bjs!
Repassando ...
É isso ai!!!
RESPOSTA DE UM GAY AO MARCELO TAS E a PRETA GIL Depravada
ESTE É UM POSICIONAMENTO CORRETO, SENSATO E COERENTE DE UMA PESSOA
DIRETAMENTE ENVOLVIDA COM A QUESTÃO HOMOSSEXUAL.
Repassando...
Tenho 42 anos, sou gay, advogado e moro em Londres. Nunca sofri nenhum tipo
de discriminação em virtude de minha orientação sexual. E como gay, penso
que tenho alguma autoridade nesse assunto.
Primeiramente - e já contrariando a turba - gostaria de expressar minha
sincera simpatia pelo Sr. Bolsonaro, que no fundo deve ser uma pessoa de uma
doçura ímpar, apesar de suas manifestações "grosseiras e/ou politicamente
incorretas". Vou direto ao assunto.
Nunca tive problemas em ser homossexual porque sou uma pessoa normal, como
qualquer heterossexual. Esse negócio de viver a vida expressando
diuturnamente sua sexualidade é uma doença. A sexualidade é algo que se
encontra na esfera da intimidade e não diz respeito a ninguém.
Não tenho trejeitos e não aprecio quem os tem. Para mim, qualquer tipo de
extremo é patológico. Minha vida é dedicada e focada em outras coisas.
Outros, como doentes que são, vivem a vida focados na sexualidade. O machão
grosseiro e mulherengo ou a bicha louca demonstram bem estes extremos.
Qualquer tipo de pervertido ou depravado (como a Preta Gil), o pedófilo,
etc, estão neste barco.
Nunca fui numa parada gay e jamais irei, pois para mim aquilo é um circo de
horrores, uma apologia à bizarrice e à cocaína - sejam francos e falem a
verdade! Hoje aplaudimos o bizarro e a perversão doentia e ainda levamos
nossos filhos pra assistir. Se a parada gay realmente fosse um ato político,
relembrando sua real importância histórica, muita bem caberia no carnaval -
abrindo o desfile das escolas de samba. Muito mais apropriado.
Está rolando sim, um movimento das bichas enlouquecidas, no sentido de
transformar o mundo num grande puteiro-hospício gay. Eu tenho um sobrinho de
11 anos e nunca senti a necessidade de explicar para ele que o "titio é
gay" - isto é uma palhaçada. As crianças devem ser educadas no sentido de
respeitar o próximo e ponto. Isto engloba tudo.
Se pararmos para olhar como o mundo se encontra, temos que reconhecer que o
modelo de educação que se desenvolve há décadas foi criado no sentido de
deseducar e desestruturar cultural e intelectualmente as massas.
Universidades por todo mundo vomitam milhões de pseudos-intelectuais todos
os anos, mas tudo piora a cada dia e caminhamos a passos largos para o
buraco. Todos os governos do mundo conspiram contra seus próprios cidadãos e
se transformaram em grandes máfias, junto com os Bancos e as Corporações
estão levando tudo, inclusive (e principalmente) nossa própria humanidade. A
corrupção se alastra pelo globo e nunca vimos tantas guerras e descrições
que vão desde o aspecto moral, até o material - a destruição de nosso
próprio planeta.
A coisa está tão feia, mas tão feia, que somente uma intervenção "divina" é
capaz de frear nossos insanos governantes e a turba alucinada. Vejam a
quantidade de manifestações de OVNIS pelo mundo. O “disclosure” é iminente.
2012, como símbolo de transformação está aí e a peneira vai passar.
Não crucifiquemos o pobre do Bolsonaro. Tenhamos o entendimento de que seu
comportamento é um grito de agonia de alguém que está lá para fazer o seu
papel, pois se ninguém disser um chega BEM ALTO a coisa sairá dos limites -
como já está saindo. Ele é sim a expressão de milhares e milhares de
pessoas, para não dizer milhões. Ele pode ser meio atrapalhado, mas não está
errado não. E tenho certeza que esse blá-blá-blá de dar porrada no filho se
for “viado” é só da boca pra fora. Ele é uma pessoa boníssima. Eu tenho
certeza disso.
O mundo precisa de amor e filosofia, não de mais ódio e fanatismo.
ESTE É UM POSICIONAMENTO CORRETO, SENSATO E COERENTE DE UMA PESSOA
DIRETAMENTE ENVOLVIDA COM A QUESTÃO HOMOSSEXUAL.
Repassando...
Tenho 42 anos, sou gay, advogado e moro em Londres. Nunca sofri nenhum tipo
de discriminação em virtude de minha orientação sexual. E como gay, penso
que tenho alguma autoridade nesse assunto.
Primeiramente - e já contrariando a turba - gostaria de expressar minha
sincera simpatia pelo Sr. Bolsonaro, que no fundo deve ser uma pessoa de uma
doçura ímpar, apesar de suas manifestações "grosseiras e/ou politicamente
incorretas". Vou direto ao assunto.
Nunca tive problemas em ser homossexual porque sou uma pessoa normal, como
qualquer heterossexual. Esse negócio de viver a vida expressando
diuturnamente sua sexualidade é uma doença. A sexualidade é algo que se
encontra na esfera da intimidade e não diz respeito a ninguém.
Não tenho trejeitos e não aprecio quem os tem. Para mim, qualquer tipo de
extremo é patológico. Minha vida é dedicada e focada em outras coisas.
Outros, como doentes que são, vivem a vida focados na sexualidade. O machão
grosseiro e mulherengo ou a bicha louca demonstram bem estes extremos.
Qualquer tipo de pervertido ou depravado (como a Preta Gil), o pedófilo,
etc, estão neste barco.
Nunca fui numa parada gay e jamais irei, pois para mim aquilo é um circo de
horrores, uma apologia à bizarrice e à cocaína - sejam francos e falem a
verdade! Hoje aplaudimos o bizarro e a perversão doentia e ainda levamos
nossos filhos pra assistir. Se a parada gay realmente fosse um ato político,
relembrando sua real importância histórica, muita bem caberia no carnaval -
abrindo o desfile das escolas de samba. Muito mais apropriado.
Está rolando sim, um movimento das bichas enlouquecidas, no sentido de
transformar o mundo num grande puteiro-hospício gay. Eu tenho um sobrinho de
11 anos e nunca senti a necessidade de explicar para ele que o "titio é
gay" - isto é uma palhaçada. As crianças devem ser educadas no sentido de
respeitar o próximo e ponto. Isto engloba tudo.
Se pararmos para olhar como o mundo se encontra, temos que reconhecer que o
modelo de educação que se desenvolve há décadas foi criado no sentido de
deseducar e desestruturar cultural e intelectualmente as massas.
Universidades por todo mundo vomitam milhões de pseudos-intelectuais todos
os anos, mas tudo piora a cada dia e caminhamos a passos largos para o
buraco. Todos os governos do mundo conspiram contra seus próprios cidadãos e
se transformaram em grandes máfias, junto com os Bancos e as Corporações
estão levando tudo, inclusive (e principalmente) nossa própria humanidade. A
corrupção se alastra pelo globo e nunca vimos tantas guerras e descrições
que vão desde o aspecto moral, até o material - a destruição de nosso
próprio planeta.
A coisa está tão feia, mas tão feia, que somente uma intervenção "divina" é
capaz de frear nossos insanos governantes e a turba alucinada. Vejam a
quantidade de manifestações de OVNIS pelo mundo. O “disclosure” é iminente.
2012, como símbolo de transformação está aí e a peneira vai passar.
Não crucifiquemos o pobre do Bolsonaro. Tenhamos o entendimento de que seu
comportamento é um grito de agonia de alguém que está lá para fazer o seu
papel, pois se ninguém disser um chega BEM ALTO a coisa sairá dos limites -
como já está saindo. Ele é sim a expressão de milhares e milhares de
pessoas, para não dizer milhões. Ele pode ser meio atrapalhado, mas não está
errado não. E tenho certeza que esse blá-blá-blá de dar porrada no filho se
for “viado” é só da boca pra fora. Ele é uma pessoa boníssima. Eu tenho
certeza disso.
O mundo precisa de amor e filosofia, não de mais ódio e fanatismo.
."..É graças aos soldados, e não aos sacerdotes, que podemos ter a religião que desejamos.
É graças aos soldados, e não aos jornalistas, que temos liberdade de imprensa.
É graças aos soldados, e não aos poetas, que podemos falar em público.É graças aos soldados, e não aos professores, que existe liberdade de ensino.
É graças aos soldados, e não aos advogados, que existe o direito a um julgamento justo.
É graças aos soldados, e não aos políticos, que podemos votar..."
É graças aos soldados, e não aos jornalistas, que temos liberdade de imprensa.
É graças aos soldados, e não aos poetas, que podemos falar em público.É graças aos soldados, e não aos professores, que existe liberdade de ensino.
É graças aos soldados, e não aos advogados, que existe o direito a um julgamento justo.
É graças aos soldados, e não aos políticos, que podemos votar..."
BARACK OBAMA
PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA EM DISCURSO NO MEMORIAL DAY
PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA EM DISCURSO NO MEMORIAL DAY
Enganam-se aqueles que pensam que as Forças Armadas estão despreparadas ou desatentas
com os destinos do Brasil.
com os destinos do Brasil.
domingo, 4 de setembro de 2011
Nono livro: O mais triste que já li
Já escrevi aqui sobre Vidas Secas ser o primeiro livro que me fez chorar, com a cena da cachorra Baleia.
Hoje, no meme dos 30 livros (em mais de um mês, pq a pessoa é procrastinadora crônica e aí já viram...) tenho que pensar no livro mais triste que já li.
E acho que é Cidade de Deus, do Paulo Lins. (disponível aqui, em pdf)
Adorei a narrativa. Acho que Paulo Lins, em Cidade de Deus, equivale a Guimarães Rosa. A linguagem do morro tem uma gramática própria, e é parte importante da narrativa.
É um livro excelente, já considero um clássico, e é uma obra muito triste.
Não é um romance sobre pessoas, é sobre a cidade.
É sobre o Rio de Janeiro, mas poderia ser sobre qualquer cidade.
É sobre esse sistema feladaputa no qual estamos inseridos, esse modo de produção fudido, que incentiva o individualismo e a ascensão social a qualquer custo. Capitalismo, esse monstro.
Cidade de Deus é um murro.
Uma sucessão de murros, pontapés, facadas, tiros.
Na boca do estômago, na cara, na alma.
A linguagem crua, a descrição detalhada de cenas de violência, que não banalizam nada, mas pelo contrário, tornam cada página um martírio.
E a gente lê, sabendo que não vai melhorar.
Foi o livro mais triste que li.
De uma tristeza diferente da tristeza de Vidas Secas, mas ao mesmo tempo, com semelhanças.
A desesperança, que é diferente do desespero, dá o tom do romance.
Não há objetivos.
O sonho de ser dono de Cidade de Deus nada mais é que o sonho do Eike Batista ou qualquer outro empresário ou financista de ser dono do mundo. Só mudam as dimensões.
Nem mesmo a forma de conseguir obter o que se quer difere: Zé Pequeno estupra, tortura, mata, rouba.
Empresários e financistas, também.
Não idolatro Zé Pequeno.
O odiei no filme. No livro, consegui estabelecer certa empatia por ele, mas ainda o odeio.
O fato dele ser feio, pobre, favelado, fodido, não lhe dá o direito de ser mau.
E ele não é mau só com os playboys e patricinhas, é mau com seus "iguais".
Ele não tem (e nem quer) redenção.
Não falo de perdão. Quem pode perdoá-lo, senão ele mesmo?
Falo de aspirar algo diferente.
Ah, sim, ele aspira algo, que não sabe bem o que é.
Nesse ponto, me identifico com ele.
O livro todo é incrível. Tão bom quanto o filme, ou melhor.
Recomendo, mesmo, a leitura.
E foi o livro mais triste que já li.
Baseado em fatos reais, escrito com o coração, Paulo Lins foi magistral.
E poderia ser relançado, hoje, com as datas alteradas, e nada, absolutamente nada, mudou.
Não sei se é porque trabalho no sistema de justiça criminal, mas o mais assustador e o mais triste livros que já li tem em comum o tema da violência, da criminalidade, da pobreza, da corrupção, da miséria humana no Brasil.
Deve ser.
Significa.
Também estão participando a Luciana, a Niara, a Marília, a Claudinha, a Mayara, a Grazi e a Tina Lopes, que foi quem começou primeiro o desafio, e nos inspirou a todas.
Eu sou a Graúna
Pimenta com Limão
Mulher Alternativa
Pergunte ao Pixel
A Estrada Anil
Nem tão óbvio assim
Livros e opiniões
Mayroses
Pimenta com Limão
Mulher Alternativa
Pergunte ao Pixel
A Estrada Anil
Nem tão óbvio assim
Livros e opiniões
Mayroses
* Se você quiser comprar, no Submarino está à venda a edição de bolso, que foi a que eu li.
O Paulo Lins revisou o livro, e fez alterações substanciais, diminuindo o número de páginas e renomeando personagens. Quero ver se encontro a edição original para comparar.
** Dia 7/9, dia da Independência (??) ocorrerá mais uma edição do Grito dos Excluídos.
Eu vou. Mas, como disse o Lucas, do Diário da Liberdade:
"Lutar contra a corrupção é lutar contra o capitalismo. Tenha isso em mente antes de emitir um grito no dia 7 de setembro."
Eu vou. Mas, como disse o Lucas, do Diário da Liberdade:
"Lutar contra a corrupção é lutar contra o capitalismo. Tenha isso em mente antes de emitir um grito no dia 7 de setembro."
sábado, 3 de setembro de 2011
O livro mais assutador, a realidade ainda mais aterrorizante
Quando tinha dez anos, li um livro de terror, tipo Stephen King, que era do meu pai.
Foi aterrorizante. Era a história de uma mãe que se separa, após perder a filha, e vai morar em uma casa assombrada. E a gente não sabe se é assombrada mesmo, ou se é a mulher que é assombrada por fantasmas do passado. No meio do livro, descobrimos que a filha morreu após engasgar, e a mãe tentou fazer uma traqueostomia de emergência, mas acabou cortando a garganta da menina... E o fantasma da menina aparece, e ainda tem uma menina psicopata que mora na vizinhança... Muito terror mesmo. Lembro de uma cena na qual a menina, loirinha, mais ou menos dez anos, coloca um passarinho entre as hastes de uma roda de bicicleta, e pedala, despedaçando o passarinho. Horrível.
Durante muito tempo, foi o livro mais assustador que já li. Mesmo Carrie e Christine, o carro assassino, ambos do King, não me aterrorizaram tanto. Crianças diabólicas e crueldade contra animais, no mesmo livro, foi demais.
Até que, há pouco mais de um ano, comprei, na esteira de Elite da Tropa, o livro, e Tropa de Elite, o filme, um livro que se chama Sangue Azul: Morte e corrupção na PM do Rio.
E fiquei simplesmente paralisada de terror.
Eu sou policial. Não sou, nem posso ser, ingênua. Sei que coisas horríveis acontecem. Nunca vi, mas sei. Todos sabemos.
Execuções.
Corrupção.
Extermínio.
Tráfico de drogas, prostituição, tráfico de armas.
Extorsão.
Assassinatos.
Estupros.
Tudo isso, feito por quem deveria servir e proteger.
O livro conta a história, supostamente e provavelmente verídica, de um pm do RJ, que adotou o pseudônimo "Rubens".
É um livro horrível.
Conta, em detalhes, como um jovem entra para a polícia com as melhores intenções, e é engolfado pela onda de crimes e violência, não que deve combater, mas à qual deve aderir, para sobreviver.
Não há glória.
Não há redenção.
Não é como Elite da Tropa, quando mesmo com as denúncias de mazelas infinitas, ainda há vislumbres de que algo pode mudar, para melhor.
Em Sangue Azul, nada melhora.
O livro logo no começo descreve uma cena de estupro, de um grupo de policiais contra duas meninas da favela, ao lado do corpo sem rosto do traficante executado.
E só piora. Piora, piora, piora.
Não é um livro bem escrito.
Mas é assustador.
Me faz pensar que a realidade é ainda mais aterrorizante que qualquer livro.
Foi aterrorizante. Era a história de uma mãe que se separa, após perder a filha, e vai morar em uma casa assombrada. E a gente não sabe se é assombrada mesmo, ou se é a mulher que é assombrada por fantasmas do passado. No meio do livro, descobrimos que a filha morreu após engasgar, e a mãe tentou fazer uma traqueostomia de emergência, mas acabou cortando a garganta da menina... E o fantasma da menina aparece, e ainda tem uma menina psicopata que mora na vizinhança... Muito terror mesmo. Lembro de uma cena na qual a menina, loirinha, mais ou menos dez anos, coloca um passarinho entre as hastes de uma roda de bicicleta, e pedala, despedaçando o passarinho. Horrível.
Durante muito tempo, foi o livro mais assustador que já li. Mesmo Carrie e Christine, o carro assassino, ambos do King, não me aterrorizaram tanto. Crianças diabólicas e crueldade contra animais, no mesmo livro, foi demais.
Até que, há pouco mais de um ano, comprei, na esteira de Elite da Tropa, o livro, e Tropa de Elite, o filme, um livro que se chama Sangue Azul: Morte e corrupção na PM do Rio.
E fiquei simplesmente paralisada de terror.
Eu sou policial. Não sou, nem posso ser, ingênua. Sei que coisas horríveis acontecem. Nunca vi, mas sei. Todos sabemos.
Execuções.
Corrupção.
Extermínio.
Tráfico de drogas, prostituição, tráfico de armas.
Extorsão.
Assassinatos.
Estupros.
Tudo isso, feito por quem deveria servir e proteger.
O livro conta a história, supostamente e provavelmente verídica, de um pm do RJ, que adotou o pseudônimo "Rubens".
É um livro horrível.
Conta, em detalhes, como um jovem entra para a polícia com as melhores intenções, e é engolfado pela onda de crimes e violência, não que deve combater, mas à qual deve aderir, para sobreviver.
Não há glória.
Não há redenção.
Não é como Elite da Tropa, quando mesmo com as denúncias de mazelas infinitas, ainda há vislumbres de que algo pode mudar, para melhor.
Em Sangue Azul, nada melhora.
O livro logo no começo descreve uma cena de estupro, de um grupo de policiais contra duas meninas da favela, ao lado do corpo sem rosto do traficante executado.
E só piora. Piora, piora, piora.
Pior que falecerf fisicamente, é o que eu sinto por dentro. Melhor, o que eu não sinto. Além do medo, não sinto mais nada. E quanto o medo acabar, só me restará a morte.
Não é um livro bem escrito.
Mas é assustador.
Me faz pensar que a realidade é ainda mais aterrorizante que qualquer livro.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Abençoada pela sorte
Continuando, bem atrasadinha, com o meme Um Mês, Trinta Livros, hoje é o dia de falar sobre um livro que odiei, mas tive que ler para a escola.
Na escola, era difícil para os professores de literatura indicarem um livro que eu não houvesse lido.
E acho que se houve algum que não me agradou, o esqueci com facilidade.
Não gosto de cultivar o ódio.
Acho que ódio é uma palavra que reservo para coisas realmente detestáveis: guerra, violência, intolerância, fanatismo...
O ódio é a morte.
Eu amo a vida (ou quero amar, a maior parte do tempo).
O ódio pode dar forças em alguns momentos, para algumas pessoas.
Não para mim.
Eu amo a ira.
O furor, a raiva.
São vitais e necessárias.
Podem ser o impulso que mantém a vida, em momentos de dor.
As vezes é melhor a raiva que a dor, me disseram.
Mas, mesmo sendo canceriana, signo de Lua, apegada ao passado, um caranguejo que avança enquanto anda para trás, não gosto de guardar rancor.
Li tantos livros na escola.
A maioria me agradou.
Com todos creio que aprendi alguma coisa.
Assim como com as pessoas que passaram e as que passarão ainda pela minha vida.
Então, posso dizer que fui abençoada, e que minha memória de elefante não guarda nenhuma recordação de um livro que odiei mas fui obridada a ler? (claro... vou deixar os jurídicos de fora, né? Estamos falando de escola, não faculdade, livros de literatura, não é?)
Guardo as recordações dos que amei.
Guardo com carinho mesmo os que me fizeram chorar.
Alguns tenho na estante até hoje.
Outros, só num cantinho da memória.
Também estão participando a Lu Borboleta-Graúna, a Niara, a Mari Moscou, a Tina Lopes, que foi quem deu a idéia para a Lu, e começou com isso, a Rita, a Claudinha, a Grazi e a May...
* Pra não ficar muito muito boazinha, e dizer que não odiei nenhum livro, acho que teve um sobre gravidez na adolescência, drogas, essas coisas, que era tão mal escrito mas tão bizarro que eu achava era graça, e tivemos que ler acho que na sétima ou oitava série... Não lembro o nome, mas pode-se dizer que foi um que odiei.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Um céu cheio de préas...
Dia 4 – the first book that make you cry ...
Antes de começar a falar sobre o livro, um aviso e uma declaração: Eu sou chorona.
Sou manteiga derretida mesmo. Choro, literalmente, em comercial de margarina. Ok, talvez não de margarina, mas confesso que choro com comerciais, daqueles tipo da Nestlé, de família feliz, com bichinhos e vovozinhas, e bebezinhos rechonchudos.
Chorei em “O Rei Leão”, chorei em “Avatar”, chorei em Harry Potter (nos últimos, né, gente...) e chorei em “Marley e Eu”. Chorei de raiva em “A Zona do Crime”, em “Carandiru” e em “Tropa de Elite” – juro que chorei!
E sou chorona desde criança. Minha avó dizia que minha facilidade para verter lágrimas me faria ser atriz de novela. Ela queria dizer que eu chorava por qualquer bobagem, e chorava mesmo: Chorava quando ela matava as galinhas para fazer o almoço de domingo, chorava quando os gatinhos que eu pegava na rua não sobreviviam. Para ela, criada na roça, matando porcos e dando à luz em casa, toando gado e batendo a manteiga, bichinhos eram luxos, momices. Só mais velha ela se apegou a um gato, o Chico, que virou seu companheiro inseparável.
O primeiro livro que me fez chorar? Não me lembro, mas acho que foi “Vidas secas”.
Só de lembrar da Baleia meus olhos ficam rasos.
Baleia, a pobre cadela dos pobres retirantes.
Pensar em Fabiano, o sertanejo, bruto, se emocionando ao ter que sacrificar a cadela... pootz.
Então, pode até ser que tenha sido outro, mas o que me lembro mesmo de ter chorado de soluçar, foi esse. Fabiano, as crianças, Siá Vitória...
E Baleia.
Vejo Baleia em cada cão magro e sarnento abandonado na rua, que eu não consigo resgatar.
Vejo Baleia em cada criança vendendo balas no sinal. Em cada miserável puxando um carrinho de catador de papel.
Vejo Baleia em mim.
“A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pêlo caíra em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas. As chagas da boca e a inchação dos beiços dificultavam-lhe a comida e a bebida. (...) Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com o saca-trapo e fez tenção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito. Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados, que adivinhavam desgraça e não se cansavam de repetir a mesma pergunta: – Vão bulir com a Baleia? (...) Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme.”
É de chorar ou não?
A Lubisborboleta, a NiPimenta, a MariAlternativa e a Ritanil estão também no meme, que começou com a Tina Lopes, e ganhou hoje a adesão da Mayara.
Vem vc também, está delicioso!
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